por Eduardo Yazbek

A modernidade trouxe uma série de benefícios para a humanidade. As pessoas têm mais acesso às informações, à comodidades proporcionadas por transformações digitais de toda ordem e cuidados para mais saúde e bem-estar. Tudo isso resultou em um aumento da longevidade e toda essa evolução, aliada à perenidade de vida, devolve ao planeta muito mais resíduos que necessitam ser manipulados, reciclados e transformados.

Mas, infelizmente, o planeta não dá conta disso: estamos habituados a produzir e não temos o talento para desfazer e reconstruir. Hoje, vivemos o colapso da reciclagem. Usinas de separação não dão conta de manipular a grande variedade de materiais. Por outro lado, muitos são descartados inconsequentemente em terrenos baldios, praias e rios, sem o menor respeito ou entendimento sobre os danos causados em curto, médio e longo prazo.

Muitas ONGs e iniciativas privadas estão se mobilizando para darem respostas e soluções positivas a esse assunto. Na verdade, o que muitas empresas e indústrias estão promovendo é uma mudança de “mindset”, ou seja, lançar no mercado soluções utilitárias que substituam matérias-primas inimigas do meio ambiente.

Engajado nesse assunto e muito preocupado com o meio ambiente, sempre busquei em minha gráfica de caixas de papelão – Embalagens Bandeirantes (EmBand) – criar processos de reciclagem de resíduos. As sobras e rebarbas de papelão geradas nos cortes passam por um processo de acumulação e prensagem para serem recicladas e se tornarem matéria-prima para novos usos e transformações.

Mas só isso não me parecia eficiente, eu tinha que promover uma transformação ainda maior no mercado. Percebi que as lojas de departamento e o mercado varejista de roupas e acessórios mantinham um inimigo silencioso em suas gôndolas e expositores: os cabides de plásticos. Qual o uso dados a esses materiais? Infelizmente, das gôndolas direto para o lixo – uma quantidade avassaladora de PVC e plástico de todo o tipo descartados diariamente esperando sabe lá qual fim.

Imediatamente, reuni meu sócio – engenheiro Nelson Yazbec – e levamos esse desafio para a prancheta. Após meses de desenvolvimento surge a solução: cabides de vários modelos, desenhados sob medida, personalizamos, manufaturados com matéria-prima reciclada (papelão prensado de alta resistência), totalmente amigos do planeta. Batizados como “cabides Bumerangue”, a inovação buscou uma mudança de mentalidade na indústria, no varejo e nos consumidores. Esses cabides, embora reciclados e de fácil descarte, ainda podem ser usados em casa e, como se não bastasse, crianças e adolescentes também podem usá-los como verdadeiros bumerangues. O nome foi escolhido exatamente por seu propósito: queremos promover o ciclo saudável da reciclagem, como o bumerangue que lançado ao ar, volta à sua origem. Felizmente, a aceitação e engajamento do mercado superaram as minhas expectativas.

Mas isso é resultado do que praticamos. A EmBand está sustentada no que chamo de “tripé da sustentabilidade”: ambiental, social e econômica. Buscamos ser amigos da natureza em tudo o que fazemos – da escolha dos materiais e produtos, até o processo de fabricação e manipulação de resíduos. Geramos uma consciência social em nossos colaboradores e clientes, com soluções inovadoras e sustentáveis. E, por fim, praticamos a melhor relação custo-benefício para que nossos clientes sejam mais competitivos e a economia mais produtiva, fomentando empregos e gerando renda.

Temos que contribuir para que as coisas mudem e já demos alguns passos nessa direção. Essa preocupação com as pessoas e o meio ambiente já faz parte da minha natureza.

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